terça-feira, 19 de março de 2019

Lúcia Delor


Arquivo de Som:

Vovó Dulcina em O Xodó da Vovó


Biografia:

Lúcia Delor foi uma dubladora Carioca.

Início

Leonor Silva nasceu em 20 de Março de 1915 em São Paulo, Capital. Filha da atriz Palmyra da Silva Campos, Lúcia desde pequena tinha vontade de subir aos palcos. Se casou cedo, com apenas 13 anos de idade, e foi morar em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Teatro

Em 1933, quando já estava divorciada, teve a oportunidade de assistir uma peça da Companhia Jayme Costa que estava em sua cidade. Logo depois, o próprio Jayme Costa á convidou para atuar na peça. Se tratava da peça Berenice, de Roberto Gomes. E foi assim que Lúcia entrou para o teatro. Na ocasião, adotou o nome artístico de Lúcia Delor.

Lúcia Delor (1939)

Em 1934, já morando na capital fluminense, entra para a Companhia Genésio Arruda, atuando na peças: Seu Romero Não é Sopa (1934), O Praxedes Vai Dar Baixa (1934), Paraíso dos Bêbedos (1934), O Trancinha (1934), e O Tio Pafúncio (1934).

Na companhia, conhece Delorges Caminha, com quem se casa logo em seguida. Delorges foi o maior parceiro nos palcos de Lúcia. Atuou em diversas companhia com ela.

No mesmo ano, entra para a Companhia de Comédias Modernas, atuando na peças: Última Loucura (1934), e Deus Lhe Pague (1934).

Na Companhia Teatro-Escola, entra logo em seguida, atuando em peças, como: Sexo (1934), História de Carlitos (1935), Divino Perfume (1935), Deus (1935). Também atua em São Paulo na reestréia da peça Sexo (1935).

Um tempo depois de entrar na companhia, pega a direção da mesma, ao lado de Delorges Caminha, e Mario Salaberry. Além de Delorges e Mario, Lúcia atua na companhia também ao lado de Jayme Costa, Olga Navarro, Luiza Nazareth, entre outros.

Lúcia Delor na década de 1930/40

Em 1936 em São Paulo, entra em um das primeiras grandes companhias da qual fez parte, a Companhia Procópio Ferreira. A primeira peça que participa na companhia, ela atua em São Paulo, sendo as demais no Rio de Janeiro. Entre elas, temos: O Homem da Cabeça de Ouro (1936), em São Paulo, Tabu (1936), João Ninguém (1936), Por Causa do Lulu! (1936), e Bicho Papão (1936).

Na companhia, entre outros, atua ao lado de Procópio Ferreira, Paulo Gracindo, Darcy Cazarré, Restier Junior, Delorges Caminha, Abel Pêra, e Elza Gomes.

Em seguida, esteve na Companhia de Comédia Rival-Teatro, nas peças: Bonequinha de Seda (1936), e O Mundo é Tão Pequeno!... (1936).

Atuou na companhia ao lado de Delorges Caminha, Darcy Cazarré, Déa Selva, sua mãe Palmira Silva, Elza Gomes, e outros.

Na Companhia Duque H. Miranda, atua apenas na peça: O Reino do Samba (1936).

Em seguida, entrou para a Companhia de Comédia Cazarré, que logo em seguida teve mais 2 sócios: Elza Gomes e Delorges Caminha, virando Companhia Cazarré-Elza-Delorges.

Na companhia, atuou nas peças: De Mãos Dadas (1936), A Mulher Que Me Vendeu (1936), Acredite Se Quiser (1936-37), O Automóvel do Rei (1937), O Dinheiro do Leão (1937), Minha Irmã de Luxo (1937), e Anastácio (1937).

Na companhia, esteve ao lado de Delorges Caminha, Darcy Cazarré, Déa Selva, Palmira Silva, Paulo Gracindo, e outros.

Lígia Sarmento, Aristoteles Pena, Lúcia Delor, Jayme Costa, Justina Laveroni, e Nelma Costa em O Homem Que Nasceu Duas Vezes (1938)

Retorna a Companhia Jayme Costa, e atua nas peças: O Homem Que Nasceu Duas Vezes (1938), A Mulher Que Todos Querem (1938), Baile de Máscaras (1938), e O Último Guilherme (1938). Na companhia, atua ao lado de Jayme Costa, Aristoteles Pena, Delorges Caminha, Ligia Sarmento, e outros.

Em 1938, seu marido, Delorges Caminha, monta sua própria companhia, a Companhia Brasileira de Comédias Delorges Caminha.

É nessa companhia que Lúcia atua no maior número de peças. Entre elas, temos: Iaiá Boneca (1938-39), A Vida Brigou Comigo (1939), O Grande Ladrão (1939), Tiradentes (1939), Turbilhão (1939), Um Judeu (Disraeli) (1939), O Maluco N. 4 (1939), Iaiá Boneca (1939), novamente encenada, Princesa (1939), Província (1939), Pertinho do Céu (1940), Ressurreição de Eva (1940), Mimosa (1940), Uma Cura de Amor (1940), O Filho da Mamãe (1940), Iaiá Boneca (1940), O Simpático Jeremias (1940), e Senhorita Vitamina (1940).

Lúcia Delor (1939)

A peça Iaiá Boneca, foi sem dúvida o trabalho mais conhecida de Lúcia no teatro, e em toda a sua carreira. A peça foi tão famosa, que viajou o Brasil inteiro, ficando quase 2 anos em cartaz. Retorna mais 2 vezes, uma em 1939, e outra em 1944. Até outras companhias montaram essa peça. A peça estreou em 1938 no Teatro Ginástico, e foi escrita por Ernani Fornani.

Muitas das peças da companhia foram atuadas no Teatro Rival, o mesmo no qual Lúcia atuou com as Companhias Comédia Rival-Teatro, e Cazarré-Elza-Delores. Também atuou algumas vezes no Teatro Ginásio.

Na companhia, atuou ao lado de Delorges Caminha, Olga Navarro, Rodolfo Mayer, Luiza Nazaré, Sadi Cabral, Palmira Silva, Restier Junior, entre outros.

Em 1941, fica afastada do Teatro, retornando em final de 1942, na Companhia de Teatro Cômico, na: Granfinos em Apuros (1942-43). Na ocasião, atuou ao lado de Heloisa Helena, Norka Smith, Delorges Caminha, Rafael de Almeida, Darcy Cazarré, entre outros.

Delorges Caminha e Lúcia Delor (1939)

Em 1 de Abril de 1943, a Companhia Delorges Caminha retorna aos palcos, fazendo sua reestréia nos palcos mineiros em Belo Horizonte, no Cine-Teatro Gloria.

Na ocasião, atua nas peças: O Diabo Enlouqueceu (1943), Precisa-Se de Um Anjo (1943), O Rei dos Tecidos (1943), A Vergonha da Família (1943), As Três Helenas (1943), A Máquina Infernal (1943), A Culpa é do Coração (1944), O Simpático Jeremias (1944), e novamente Iaiá Boneca (1944).

Nessa ocasião, atuou ao lado de Delorges Caminha, André Villon, Otávio França, Heloísa Helena, Abel Pêra, Luiza Nazaré, e outros.

Posteriormente, esteve na Companhia Palmerim Silva, na peça: O Maluco da Avenida (1944).

Sua última peça por longas décadas, foi: O Casca-Grossa (1944), no Teatro Rival, um dos teatros que mais atuara em sua carreira. Após isso ingressa completamente no rádio, sendo contratada no mesmo ano pela Rádio Globo.

24 anos depois, retorna ao teatro. Na ocasião, apenas dublava, e se atuava no rádio era muito pouco, já que o rádioteatro estava quase extinto, por conta da televisão.

Afonso Stuart, Rogério Fróes, Lúcia Delor, Armando Nascimento, Angela Cunha, Moná Delaci, Ivan Cândido, Alzira Cunha, Eva Todor, André Villon, e Lourdes Mayer em Em Família (1970)

Nessa ocasião, ingressa na Companhia Eva Todor e Seus Artistas, atuando nas peças: Senhora na Boca do Lixo (1968), Olho N'Amélia (1969), A Celestina (1969), Em Família (1970), no Teatro Nacional de Comédia, e Bigamia do Outro Mundo (1971-72).

Na companhia, atua ao lado de Eva Todor, Álvaro Aguiar, Suzy Arruda, Alberto Perez, Elza Gomes, Afonso Stuart, Luís Carlos de Moraes, Milton Morais, Lourdes Mayer, Daisy Lúcidi, Estelita Bell, e outros.

Sua última peça, foi Donzelo (1976), ao lado de Costinha no teatro Serrador.

Rádio Tupi

Em 1935, Lúcia é chamada por Olavo de Barros, diretor de rádioteatro na Rádio Tupi, para ingressar na emissora. Na ocasião, atua em rádionovelas, como: Nada (1938).

Lúcia Delor (1946)

Em 1943, retorna a emissora, atuando em peças no Cine-Rádio Teatro, como: Dois Contra Uma Cidade Inteira (1943), e Não Estamos Sós (1943); e de programas, como: Teatrinho de Eva (1943); entre outros.

Rádio Globo

Em 1944, é contratada pela Rádio Globo, que na ocasião ainda se chamava Rádio Transmissora. Na ocasião, Delorges fecha sua companhia, e também vai trabalhar na emissora.

Lúcia Delor (1951)

Na emissora, participou de diversas rádionovelas. Entre elas: Os Imigrantes (1945), Os Filhos Mandam (1945), O Passado Não Volta (1945), Demônio Branco (1945), Garoa (1946), Nas Trevas do Passado (1947), A Menina do Estoril (1947), Capricho (1947), A Volta (1947), A Mentira (1948), Naufrágio (1948), Um Violino na Sombra (1948), Tudo Um Amor (1949), Estranho Hospede (1949), Bocage (1950) (centésima novela de Amaral Gurgel), Sacrifício, entre outras.

Em teatro, atua em peças, como: As Duas Esposas (1945), Santa Cecília (1945), A Força do Destino (1945), O Fantasma de Canterville (1945), Ao Pé da Forca (1946), O Ciclone (1946), A Inimiga (1946), Sangue Cigano (1948), Um Rosto na Sombra (1948), Pão dos Pobres (1950), Mascarada (1950), Degraus da Vida (1950), entre outras.

Em programas teatrais, atuou em Teatrinho de Eva (1945), Rádio Festa (1945), Aventuras de Vavá (1945), entre outros.

Em programas, atua em: Música Para Milhões (1945), Parada de Emoções (1950), Teatro de Sonho (1950), entre outros.

A maioria de suas atuações no rádio, seja na Rádio Tupi ou Globo, ela atuou ao lado de Delorges Caminha.

Permanece até por volta de 1950/51 na emissora, quando se afasta do rádio.

Rádio Mundial

Em 1954 retorna ao rádio, vai para a Rádio Mundial. Na emissora, entre outras, atua nas novelas: A Mentira (1955), Enquanto o Sono Não Chega (1956); e em peças sacras, como: A Vida de São Francisco de Paula (1956); entre outras.

Rádio Nacional

Lúcia Delor (1951)

Em 1957, entra para a Rádio Nacional. Na emissora, entre outras, participou das novelas: ...E Meu Filho Não Voltou (1957), Calúnia (1957), A Eterna Presença do Pecado (1957), O Destino Não Tem Fronteiras (1957), Tortura de Uma Traição (1957), O Cavaleiro da Noite (1957), Até Morrer de Amor (1957), Entre o Coração e o Pecado (1957), entre outras.

Em teatro, atua em Grande Teatro, na peça: A Intrusa (1957), entre outras; e no Teatro de Mistério, na peça: História de Duas Mãos (1962), ao lado de Rodolfo Mayer e Nelly Amaral, entre outras.

Cinema

Lúcia Delor e Anselmo Duarte em Pinguinho de Gente (1949)

Quando fazia sucesso no teatro, foi convidada para atuar no cinema. Entre os filmes que atuou, estão: Bonequinha de Seda (1936), e Pinguinho de Gente (1949).

TV Rio

Teve poucas participações na televisão. Uma delas, foi na TV Rio, no programa Grande Teatro Orniex, dirigido por Floriano Faissal com artistas da Rádio Nacional, em peças, como: Nossos Filhos (1958), ao lado de Daisy Lucidi, Mário Lago, Suzana Negri, Neyda Rodrigues, Domingos Martins, Elza Gomes, Alda Verona, e Helmício Fróes.

Vida Pessoal

Leonor da Silva, a Lúcia Delor, era filha da atriz Palmira da Silva Campos, que atuou diversas vezes com Lúcia no teatro. Teve uma única irmã, Olímpia Leite Ferreira, casada com o ator Leite Ferreira. Olímpia também atuou no teatro, e usava o nome artístico de Diva Sônia.

Lúcia Delor e Diamela Di Mônaco (1955)

Lúcia se casou aos 13 anos com Armindo Di Mônaco, e teve 2 filhos: Diamela Di Mônaco (25/12/1928), e Renato Di Mônaco (na década de 1930) (ele serviu o exército posteriormente). Ao se casar, mudou seu nome para Leonor Di Mônaco. Por volta de 1933, se divorcia de Armindo, e em 1934, junta-se com Delorges Caminha, com quem atua no teatro e no rádio. Delorges se separa de Lúcia em meados dos anos de 1950, e casa-se com Henriette Morineau.

Anos depois, Armindo junta-se com Vera, com quem tem 2 filhos: Carlos (1942) e Sandra Maria (1946). Armindo se torna alcoólatra, e perde todo o dinheiro em cassinos. Também abandona a oficina que tinha na Praça Inhangá, em Copacabana. Lúcia e sua filha Diamela, como também seu filho Renato, tentaram o ajudar várias vezes, como quando o internaram em uma clínica, no qual ele acabou fugindo. Sua filha também tentou fazer com que ele morasse com ela, mas foi em vão. 8 meses antes de morrer, foi abandonado pela segunda esposa e filhos, e foi morar em um quarto. Foi encontrado morto em 1955.

A filha de Lúcia, Diamela Di Mônaco, também foi atriz. Era conhecida como Maria do Céu, e seguiu carreira no teatro, entre outros atuando na Companhia Valter Pinto, ao lado de Dercy Gonçalves. Começou na peça O Tio de Napoleão, pela companhia, no Teatro Glória. Diamela teve 2 filhos: Carlos Alberto (1948), e João Alberto (1950). Lúcia foi avó muito nova, aos 33 anos de idade. Em 1959, casa-se com Jorge Sandorné Kardos, adotando o nome de Diamela Rosa Kardos. No mesmo ano que se casa, se retira do teatro para se dedicar a família.

Lúcia Delor se afastou nos anos de 1980 da dublagem, por ter sido diagnosticada com demência. Foi cuidada pela filha, e chegou a ser internada diversas vezes. Faleceu em Abril de 1986, de falência múltipla de órgãos.

Os demais falecidos, além de Armindo Di Mônaco que faleceu em 1955, foram Delorges Caminha em 18 de Abril de 1971, Henriette Morineau em 3 de Dezembro de 1990, Renato Di Mônaco de alcoolismo, pouco tempo antes do falecimento da mãe, Diamela Rosa Kardos em Maio de 2006, e Jorge Sandorné Kardos em 1978.

No fim da vida, Diamela foi viver no Retiro dos Artistas, segundo ela para relembrar o passado ao lado de artistas com quem ela trabalhou ao longo da carreira.

Dublagem

Na dublagem, entrou no início dos anos de 1960 na CineCastro. Trabalhou principalmente na CineCastro, mas também atuou na época na Dublasom Guanabara. No início dos anos de 1970, ingressa na Herbert Richers, aonde dublagem até início dos anos de 1980.

Ellen Corby

Entre seus personagens, estão os dublados em séries, como a vovó Esther Walton interpretada Ellen Corby em Os Waltons, a empregada Martha Grant interpretada por Reta Shaw em Nós e o Fantasma, entre outros.

Vovó Dulcina

Nos desenhos, fez a voz da Vovó Dulcina em O Xodó da Vovó, Dona Marta em A Coisa, a papagaia Polinésia em As Aventuras do Doutor Dolittle, entre outros.

Em filmes, dublou algumas personagens, como Sra. Dabney interpretada por Dorothy Conrad em O Cavaleiro Romântico, Pamela Voorhees interpretada por Betsy Palmer em Sexta-Feira 13 - Parte 3, Vovó Josephine interpretada por Franziska Liebing na segunda dublagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate, entre outros.

Lúcia se afastou por volta de 1982/83 da dublagem, por ter sido diagnosticada com demência. Foi cuidada pela filha, e chegou a ser internada diversas vezes. Faleceu em Abril de 1986, de falência múltipla de órgãos.

Trabalhos:

Filmes

- Babs/O Gênio (Evelyn Keyes) em Alladin e a Princesa de Bagdá
- Sra. Dabney (Dorothy Conrad) em O Cavaleiro Romântico
- Diretora da Escola (Evelyn Varden) em Papai Batuta
- Pamela Voorhees (Betsy Palmer) em Sexta-Feira 13 - Parte 3
- Vovó Josephine (Franziska Liebing) em A Fantástica Fábrica de Chocolate (2ª Dublagem)
- Alsop (Marjorie Bennett) em Luzes da Ribalta
- Princesa Ilaria (Margaret Rutherford) em Arabella
- Murphy (Kathleen Freeman) em Três em Um Sofá

Séries

- Martha Grant (Reta Shaw) em Nós e o Fantasma
- Esther Walton (Ellen Corby) em Os Waltons

Desenhos

- Vovó Dulcina em O Xodó da Vovó
- Dona Martha em A Coisa
- Polinésia em As Aventuras do Doutor Dolittle
- Vovó em Especial de Páscoa do Pernalonga

Fontes: Acervo Pessoal, A Cena Muda, Marco Antônio Silva Santos, Elenco Brasileiro, Obscuro Fichário, Revista do Rádio, O Cruzeiro, Diário de Notícias, Jornal das Moças, A Noite, Todo Teatro Carioca, Carioca, Tribuna da Imprensa, Jornal das Moças, Jornal do Brasil, Jornal do Commercio, Wizzley, Túnel do Tempo Desenhos, Carlos Alberto, Carlos Amorim, Augusto Bisson, IMDB, Dublanet.

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