sexta-feira, 13 de março de 2020

Antônio de Freitas


Arquivo de Som:

Inspetor Kanoff (Patrick Troughton) em A Górgona




Biografia:

Antônio de Freitas foi um dublador Paulistano.

Início

Antônio de Freitas começou a carreira trabalhando na Prefeitura de São Paulo, e posteriormente à noite atuava em espetáculos no circo.

Teatro

Atuou no circo desde o início dos anos de 1940, como também no teatro. Por conta do trabalho em rádio, se afastou de ambos.
 
Antônio de Freitas (1956)

Em 1959, participa da tradicional apresentação do elenco da Rádio São Paulo no Circo Piolim, representando a peça do quadro Semana Santa, intitulada O Mártir do Calvário (1959).  Na representação, esteve ao lado de Dalva Costa, José de Freiras, Elvira Samara, Arlete Montenegro, Marcelo Ponce, Gessy Fonseca, Ézio Ramos e Gastão Malta. Se repetiu em 1960.

Em 1961, foi representada no Teatro Record, com direção de Antônio, e com nome de A Vida, Paixão e Morte de Jesus (1961). No ano seguinte acontece o mesmo, ocorre o mesmo, mas com o retorno do nome para O Mártir do Calvário (1962).

Viveu Jesus na semana santa no circo e no teatro desde início dos anos de 1940.

Em seguida, esteve na peça Sem Entrada e Sem Mais Nada (1961), pela Companhia Teatro Brasileiro de Comédias, no Teatro Maria Della Costa, ao lado de Eva Wilma, Liana Duval, Mauro Mendonça, João José Pompeo, J. França, Gervásio Marques, e Gustavo Pinheiro.

Rádio São Paulo

No rádio, começou no início da década de 1940 como rádioator e diretor de rádionovelas. Antônio foi um importante rádioator, tendo passado pelas principais rádios de São Paulo.

Antônio de Freitas (1943)

Em 1943, já estava na Rádio São Paulo, e atuava principalmente como contra-regras.

Como rádioator, atua nas novelas O Solitário (1944), de Ceci de Alencar, Um Estranho Casamento (1944), de Otávio Augusto Vampré,  Amargura (1949), O Outro Lado da Vida (1949), Vida Em Tormento (1949), Abandonada (1949), Maria Madalena (1949), Ninho de Víboras (1949), Carmen (1950), A Lua no Meu Quarto (1950), Amor Triunfante (1950), Pecado de Mulher (1950), A Crucificada (1951), de Urbano Reis, Você Me Fez Perversa (1951), A Rua Dos Sonhos Perdidos (1951),

Além de suas participações em novelas, teve grande presença também nos programas teatrais da emissora. Entre eles, o programa Teatro de Urbano Reis, em peças como A Louca (1949).

O programa Teatro de Aventuras, nas peças Juca Valente (1950), Rádio Patrulha (1950), Forasteiro (1951), O Império do Sol (1958), Hiran, o Fenício (1959), Comandante Taylor (1959), O Filho Pródigo (1959), e Miguel Strogoff (1959).

E no famoso programa, Grande Teatro Royal, nas peças Sinhá Moça Chorou (1950), Yayá Boneca (1950), Vontade Sobrehumana (1950), Uma Aventura Singular (1950), Iracema (1950), O Prelúdio da Morte (1950), O Sinal de Deus (1951), Sacrificados (1951), Marcha Nupcial (1951), Frei Antonio das Chagas (1951), A Canção de Minha Ternura (1951), O Amor Que Não Morreu (1951), e O Rosário (1951).

Além disso esteve também nos programas Grande Teatro de Contos, na peça Noturno em Si Bemol (1950), Grande Teatro do Azeite Rita, nas peças Desespero (1950), Criminoso (1951), Teatro Popular de Arte, na peça Morro dos Ventos Uivantes (1951), e por fim Teatro de Cultura Popular, na peça Hamlet (1951), com protagonismo do ator teatral, Sérgio Cardoso, que mais tarde encenaria a mesma peça no teatro por sua companhia.

Também participou do programa Quem é o Culpado? (1950).

Como diretor, dirigiu e ensaiou elenco para o programa Grande Teatro do Azeite Rita (1950-51), como a direção geral do programa Grande Teatro Royal (1951).

Em novelas, dirigiu Marcha Nupcial (1951), e A Rua Dos Sonhos Perdidos (1951).

Rádio Record

Antônio de Freitas e Dalva Costa (1952)

Em 1952, é contratado pela Rádio Record, para ser diretor de rádioteatro da emissora. Permaneceu pouco tempo na emissora, retornando a Rádio São Paulo no ano seguinte.

Rádio São Paulo

De volta a Rádio São Paulo, atuou nas novelas Ângela de Monte Cristo (1954), de Cardoso Silva, A Vida Continua (1956), Macumba (1956), Alguém Morrerá Esta Noite (1956), Melodia Inesquecível (1957), de Ciro Bassini, Se a Felicidade Não Fosse Plural (1957), de Hélio Tys, Depois Que a Noite Passou (1958), de Dulce Santucci, Lembrança de Roberta (1958), Lembranças de Roberta (1959), Magia Verde (1959), Nos Dias Impares (1959), Quando Cantam As Cigarras (1959), Algemas Partidas (1959), Alma Danada (1959), e Nega Fulô (1959).

Arlete Montenegro, Gessy Fonseca, Odete Lyz, Álvaro de Albuquerque, Celso Marival, Oswaldo Calfat, e Antônio de Freitas (1958)

Na década de 1960, atuou nas novelas O Homem Que Perdeu a Alma (1960), Sorrir Para Mim (1960), Alma em Flor (1960), Miguel Strogoff (1960), O Homem Que Perdeu a Alma (1960), de Janete Clair, A Casa dos Sete Candieiros (1960), de Dias Gomes, Quase Menina (1960), de Mário Lago, O Foragido (1960), de Roberto Mendes, Ela Voltará Um Dia (1961), de Janet Clair, A Divina Solange (1962), de Mário Lago, Maria Sem Pecado (1962), O Escravo Branco (1962), de Ivani Ribeiro, Um Coração Entre Espinhos (1962), de Ivani Ribeiro, No Palco da Vida (1962), de Roberto Mendes, Fronteira do Inferno (1962), de Raimundo Lopes, Dois Amores (1962), e Noite Ilustrada (1963).

Uma curiosidade para a novela A Voz do Sangue (1953), em que participa. A escritora da novela Yara Navarro, os atores Nélio Pinheiro, Leonor Navarro, Waldemar Ciglioni e Sônia Ciglioni, e os sonoplastas Francisco Magalhães e Benito de Nardo haviam ganhado o Roquete Pinto referente ao ano de 1952, inclusive Antônio.

No início da década de 1950, aconteceu um caso curioso com Antônio. Ele atuava em uma novela de Raimundo Lopes na emissora, aonde interpretava o vilão. Após o último capítulo da novela, Antônio teve sair escoltado por um camburão da polícia pelos fundos do estúdios, porque a frente da rádio estava cercada de ouvintes furiosos com seu personagem.

Roberto de Carvalho, Antônio de Freitas, Ciro Bassini, Plínio de Oliveira, e Mário Jorge (1956)

Em programas teatrais, esteve em Grande Teatro Royal, nas peças Noivas de Maio (1956), Perdão, Meu Filho (1958), Guerra e Paz (1958), Vingança Cigana (1958), Algemas Partidas (1959), e Pierre Venguer (1959), Teatro União, na peça O Ferroviário (1958), e por fim Grande Teatro Dramático, nas peças O Retrato de Dorian Grey (1956), Rui Barbosa (1958).

Também atuou no seriado Guilherme Tell (1958).

Como diretor, voltou a dirigir e ensaiar elenco para o programa Teatro do Azeite Rita (1953-59).

Também dirigiu peças no programa Teatro de Aventuras, como Ziegfield (1957).

Em novelas, dirigiu Preço do Silêncio (1953), O Garoto Do-Re-Mi (1956), Em Cada Coração, Um Amor (1958), Vidas Entre Sombras (1959), Quando Cantam As Cigarras (1959), A Eterna Sombra (1959), e Carne de Minha Carne (1959).

Rádio Record

Esteve na Rádio São Paulo até por volta de 1963/64, quando parte para a Rádio Record.

Em 1964, participa eventualmente do Teatro Manuel Durães na emissora.

Rádio São Paulo

De volta a Rádio São Paulo, atua na novela de Iara Cúri, O Delator (1965).

Rádio Mulher

Em 1976, esteve na Rádio Mulher, ao lado de vários colegas de trabalho, como Gilmara Sanches, Ézio Ramos, Gessy Fonseca, Gervásio Marques, Judy Teixeira, Maria Aparecida Alves, Oswaldo Calfat, e outros.

Atuou na emissora em peças e novelas de nomes como Ivani Ribeiro, Janete Clair, J. Silvestre, Dulce Santucci, Urbano Reis, e outros. Acredito que tenha sido a última emissora que tenha trabalhado.

TV Record

Antônio de Freitas, Waldemar de Morais, Talita de Barros e Carlos Araújo (1955)

Na TV, atuava no programa Teverama da TV Record, em meados dos anos de 1950, em peças como A Volta do Frankenstein (1955), ao lado de Waldemar de Morais, Talita de Barros e Carlos Araújo.

Cinema

No cinema, participou de filmes, como: O Palhaço Atormentado (1948), ao lado de Arrelia e Osmano Cardoso.

Em 1961, Antônio, ao lado de vários colegas da Rádio São Paulo, participou de um filme chamado Passageiros da Vida (1962). Entre os colegas que atuaram, estava seu irmão José de Freitas, Deise Celeste, Elaine Cristina, Marthus Mathias, Osvaldo de Barros, Dalva Costa, entre outros. O filme foi produzido, dirigido, escrito e roteirizado por Jorge Della Vecchia.

Curiosidades

Antônio de Freitas (1955)

Em 23 de Abril 1955, próximo a sua casa, Antônio foi vítima de um atentado a faca por seu vizinho, que há muitos o ameaçava por adquirir preferência de venda do dono do terreno ao lado de suas casas. Esse atentado, perfurou seu fígado, pâncreas e estomago. Na ocasião, Antônio ainda conseguiu dirigiu seu veículo até uma rua movimentada, quando foi ajudado a ir ao Hospital das Clínicas, na capital paulista. Foi operado, se recuperou e logo em seguida voltou para casa. Na ocasião, a revista Radiolândia fez uma reportagem com Antonio mostrando sua recuperação e os cuidados que teve em seu lar de sua esposa Linda.

Prêmios

Em 1952, ganha o prêmio de melhor rádioator central de 1951 do rádio paulista, concurso esse promovido pela ABEARRE, Associação Beneficente dos Empregados e Artistas da Rádio Record, e realizado no dia 22 de Janeiro de 1952, com o júri composto por Carlos Mendonça, da Associação das Emissoras de São Paulo, Mário Julio Silva, da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, Denis Brean, da Associação Brasileira de Cronistas de Disco, Edmur de Castro Cotti, das Agências de Publicidade, e a escritora Maria de Lourdes Lebert.

Antônio de Freitas (1955)

Em 1953, recebe outro prêmio por sua atuação como rádioator, o Roquete Pinto. O Roquete Pinto era o maior prêmio para um artista na ocasião, seja ele do rádio, televisão, teatro ou cinema. Um feito, com certeza na carreira de Antônio. O prêmio foi referente a categoria de melhor rádioator central do ano de 1952.

Em 1956, ganha novamente o prêmio Roquete Pinto como melhor rádioator central de 1955. Em 1961, ganha o prêmio de radioator central paulista pelo ano de 1960. E em 1963, chega a ganhar um terceiro prêmio Roquete Pinto por sua atuação no rádio.

Vida Pessoal

Antônio era irmão do também rádioator, José de Freitas, com quem também atuou na dublagem, e do ator circense, Mário de Freitas.

Se casou na década de 1940 com Linda de Freitas, com quem constituiu família. Foi mais a sua família morar no bairro da Parada Inglesa, zona norte de São Paulo.

Dublagem

Na dublagem, entrou por volta de 1967/68 na AIC, atuando junto com seu irmão José de Freitas, com quem também trabalhava na Rádio São Paulo. Também atuou por alguns anos na Ibrasom.


Chefe O'Hara

Entre seus personagens fixos, temos primeiramente o Policial Chefe O'Hara interpretado por Stafford Repp na primeira e segunda temporadas de Batman, a primeira voz de Reuber Kincaird em A Família Do-Re-Mi, entre outros.

Inspetor Kanoff

Em filmes foi o Inspetor Kanoff em A Górgona, Coronel Wilkinson interpretado por Mervyn Johns em Os Heróis de Telemark, Doutor Saunders interpretado por Gene Lockhart em Amar Foi Minha Ruína, entre outros.

Houve um equivoco, aonde creditaram Antônio como a segunda voz de Shemp Howard, porém foi se descoberto que aquela voz é de Waldir Wey.

Nos anos de 1970, também foi diretor de dublagem na Álamo. Continuou na dublagem até meados, final dos anos de 1970, tanto na AIC, quanto na Álamo, quando se afastou da profissão.

Veio a falecer no início dos anos de 1980, por volta de 1982/83.

Trabalhos:

Filmes

- Coronel Wilkinson (Mervyn Johns) em Os Heróis de Telemark
- Inspetor Kanoff (Patrick Troughton) em A Górgona
- Dr. Saunders (Gene Lockhart) em Amar Foi Minha Ruína
- Fredric March (Dr. Alex Favor) em Hombre
- Médico Legista (Percy Cartwright) em O Monstro de Duas Faces
- Piloto Vila (Julio Villarreal) em As Sete Cidades de Ouro
- Sam (Ken Renard) Caçada Humana
- Milton Wing (Regis Toomey) O Último Pôr-do-Sol
- Charley (Charley Chase): Os Filhos do Deserto / A Honestidade Vence (1ª Dublagem)
- Big Mac (James Westerfield) em Sindicato de Ladrões
- Delton (John Williams) Rabo de Foguete
- Glushkov, da Agência Espacial (Laurence Herder) em Os Primeiros Homens na Lua
- Bêbado Apocalíptico em Lanchonete (Karl Swenson) em Os Pássaros

Séries

- Policial Chefe O'Hara (Stafford Repp) em Batman (1ª e 2ª Temporadas)
- Reuben Kincaid (Dave Madden) (primeira voz) em A Família Do-Re-Mi

Fontes: Acervo Pessoal, Universo AIC, Wikipédia, A História da Dublagem, Revista do Rádio, IMDB, Dublanet, Ronaldo Baptista, Canal Hulu no Dailymotion, The Stalking Moon, Wikia, José Carlos Guerra, Nelson Machado, Jornal de Notícias, Love Filmes Online, A Noite, Rádiolândia, Correio Paulistano, Última Hora.

4 comentários:

  1. Obrigada, de coração, obrigada! Apenas um artigo para o blog, mas você nos deixou muito felizes, sou neta do Antonio de Freitas e meu pai (filho mais velho) e eu não imaginávamos tudo que meu avô havia feito! Obrigada

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    1. E ainda tem mais algumas informações e imagens pra atualizar. O dia que fizer isso eu te aviso por aqui pelos comentários. Muito legal ter deixado vocês felizes com esse meu artigo. Fiz uma certa pesquisa, com a ajuda de muitos sites e amigos que também trouxeram muitas informações dele, como o Universo AIC, e o Dublanet.

      Aproveitando, vocês não teriam fotos do seu avô? E ainda, fotos do seu tio-avô, o José de Freitas? O José sim que necessitava de foto. Só achei uma, e muito ruim. Quase não dá pra ver o rosto dele. Seu tio-avô foi a voz do Shemp dos 3 Patetas.

      Um abraço. Tudo de bom.

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  2. Já repassei seu blog pra toda família e eles também agradecem de todo coração!

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